sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dicionário de ideias aceitas II


     
     Aqui vai a segunda fornada de ideias aceitas, todos estamos suscetíveis a elas, vamos ficar atentos:

Verdade - somente a sua.
Mentira – um pouquinho não faz mal.
Sono – estamos sempre com sono.
kkkkkkkkkkkk – estou gargalhando.
Tempo – estamos sempre sem tempo.
Crianças – não devem ser escutadas.
Adultos – são chatos e só fazem coisas chatas.
Adolescentes – sempre problemáticos.
Idodos – jogam dominó o dia inteiro no parque.
Idosas – ficam em casa fazendo crochê.
Robôs – dominarão o mundo.



  

domingo, 8 de abril de 2012

Crônica de Páscoa


Páscoa, para muitos significa somente época de comer chocolate e tomar vinho. Para nós cristãos, assim como o siginificado da palavra, páscoa significa passagem, passagem da morte para a vida, o dia da ressurreição de Jesus. Assim como um padre falava na missa de Páscoa que fui hoje, essa data também deve siginificar uma passagem interna, uma mudança em nós também deve acontecer. Nisso, me veio à memória um trecho que vi num filme da paixão de Cristo essa semana. Nele, estava passando um dos mais belos e difíceis ensinamentos de Jesus: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos , fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.” Mateus 5:44. O primeiro pensamento que vem a cabeça é: “Como assim amar meus inimigos?”, mas Jesus fala logo após: “Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?” Mateus 5: 46-47. Eu já havia ouvido essas palavras, porém somente nessa semana eu realmente as “escutei”. Que nessa Páscoa possamos escutar verdadeiramente o que Jesus nos ensina para que uma mudança interna (passagem) possa ocorrer em cada um de nós. Que escutemos sempre o que nos diz Jesus. Feliz Páscoa!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dicionário de Ideias Aceitas


    Gustave Flaubert, escritor francês, é o autor da obra Bouvard e Pécuchet que li recentemente. Nesse livro, Flaubert despeja toda a sua raiva contra a mediocridade humana, mas não pensem que é um livro chato, é bastante engraçado e inteligente. Seus personagens, Bouvard e Pecuchet, são dois amigos que vão morar no campo e se aventuram a aprender várias ciências, passando pelo ofício de médico, pela arqueologia, espiritismo, entre outras. Porém eles se aborreciam logo, porque queriam aprender depressa mas na maioria das vezes não dava certo, trazendo várias consequências nada agradáveis. Gargalhei bastante, além de refletir também com as peripécias desses personagens. O autor faleceu antes de terminar o livro, entretanto deixou os projetos para seu término bem como a ideia do segundo livro, nesse ele iria escrever o sottise (do francês sottise – asneira, tolice ), seria um dossiê da estupidez humana e também teria o Dicionário das Ideias Aceitas, onde estariam ideias velhas de aceitação coletiva, aquelas ideias que aceitamos sem ao menos refletir. Nos disseram e apenas acatamos como verdade. Flaubert inclusive começou esse dicionário. Podemos perceber que essas “idéias aceitas” variam de acordo com o lugar, a época, a cultura, apesar de algumas terem uma abrangência mundial. Decidi então criar também um dicionário de ideias aceitas e ir postando a medida que eu perceber essas ideias. Se alguém também quiser contribuir pode enviar as “idéias aceitas” que conhecer para o e-mail: juniorpiresupe@gmail.com, que eu posto aqui no blog. Desse modo poderemos também mostrar as ideias que nos são passadas e que todos aceitam como verdade, e que possamos então refletir sobre elas. A seguir vai a primeira leva de ideias aceitas:

Beleza – o padrão de beleza é a magreza excessiva.
Brasil – apenas país do samba, do futebol e do carnaval.
Cabelos – os cabelos devem ser lisos.
Jogos – quem joga video-game vive sempre fora da realidade.
Loira – é burra.
Mulher – ninguém as entende.
Nordestino – é analfabeto.
Romance – deve-se sempre assistir um filme romântico acompanhado.
Solteiro – quem é solteiro está sempre encalhado.
Tatuagem – pessoas com tatuagem não são confiáveis.
Tempo – deve-se reclamar sempre do tempo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vou Pular!

- Vou pular!
- Não, não pule!
- E o que mais me resta fazer?
- Pense nos seus filhos, João e Margareth.
- Eu não tenho filhos.
- Mas poderá ter, pense neles.
- João e Margareth?
- São bonitos nomes.
- Eu tenho que pular, você viu que a gasolina subiu de novo?
- Ah, se for por isso mais da metade da população já teria pulado.
- Eles tem vontade também é?
- Não, não tem! Esqueça isso. Olhe para o mundo ao seu redor.
- Estou vendo um monte de prédios, muita poluição e... olha ali, um assalto a uma senhora, hã, é a velhinha que tá assaltando aquele homem?...
- Certo, certo. Não foi o melhor dos exemplos. Você tem uma mulher, pense nela.
- Aquela me trai direto.
- É uma safada mesmo, esqueça.
- O quê? Tá chamando minha mulher de safada?
- Não, não. Longe de mim dizer isso.
- Vou pular e nem você, Mateus, nem ninguém lá embaixo vai me impedir...o que? Aquilo ali embaixo é um carro funerário?... não importa, vocês não vão me impedir!
- Calos, desista disso.
- Tá vendo, até meu nome foi registrado errado por aquele escrivão analfabeto.
- A gente manda mudar o seu nome, pronto.
- Não, já me acostumei com ele.
- Vamos lá, com calma, a gente desce e tudo fica bem.
- Eu vou descer sim, mas de um modo mais rápido, vou pular. Vai pular eu e esse Twitter que eu encontrei aqui.
- Calos, solta esse pombo.
- Ontem a tarde no parque, no meio do caminho tinha uma pedra, eu não vi, tropecei e cai.
- Não, não chore. Acontece.
- O problema não foi esse, é que joguei a pedra longe e só depois fui perceber que era um cágado, eu acho que matei o bichinho!
- Não foi sua culpa. Me dê sua mão.
- Quer casar comigo é? Eu vou pular.
- Desça daí lentamente. Nada de movimentos bruscos.
- As pessoas são muito más. Tá vendo aquele senhor com um livro?
- Sim, ele está lendo o livro.
- Sei não, muito suspeito. Você conhece o conteúdo daquele livro? Claro que não.
- E o que é ?
- Também não sei, não dá para ver daqui, mas não deve ser coisa boa. Vou pular e é agora.
- Espera! Você vai pular desse prédio?
- Qual o problema?
- É um prédio comum e nem tem tantas pessoas lá embaixo para ver. Você postou no Facebook que ia pular hoje?
- Não, esqueci disso.
- Então, você pode escolher outro prédio, quem sabe algum histórico ou mais alto e ainda vai ter a chance de postar no Facebook.
- Faz sentido. Pensamento interessante. Quem sabe postar no Twitter também.
- Isso, isso.
- Vou escolher outro dia e local para me programar melhor. Me ajuda aqui que eu vou descer.
- Isso, vamos descer. Ufa, por pouco.
- O que você disse?
- Nada, nada, pensando alto.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Xadrez


Há muito tempo não escrevo por aqui, o meu trabalho final de curso é o motivo parcial.
Hoje me bateu uma vontade imensa de escrever, parecido com aquela vontade de tomar sorvete a meia-noite que de vez em quando temos.Talvez isso se deva ao escritor Rubem Alves, ele deve ser o culpado. Não conhecia seus textos, mas em meio a profusão de links do google, durante uma busca, me deparei com um texto desse escritor e fiquei encantado. Hoje li um texto dele sobre a prosa, onde fala que prosear é falar sem objetivo definido. A prosa não quer chegar a nenhum lugar, quer apenas acontecer. E citando Guimarães Rosa, me derrubou: “A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia”. Depois que li isso veio a vontade de prosear. E para fazer parte dessa prosa chamo o antigo jogo de xadrez. Jogando essa semana percebi quão profundo e fascinante é esse jogo. O xadrez é uma conversa entre duas mentes, sendo cada jogada uma frase onde o outro, se entender, responde de acordo, ou senão “fala algo desconexo”. Tudo isso pelo movimento de peças. É um tipo de linguagem de sinais, onde quanto mais se entende mais se prediz o outro. Sempre vi esse jogo como algo monótono porque muitas vezes jogava com os olhos e não com o cérebro. Li em algum site que nunca mova uma peça de xadrez se não tiver um objetivo, cada movimento deve fazer parte de uma tática.
E, como tudo aquilo que fascina tem seu mistério, não se sabe onde surgiu precisamente, uns falam que foi no Egito, outros na Índia, o certo é que muitas gerações se fascinaram com ele.Talvez isso aconteça por se permitir ver a mente do outro. Pois nele sua mente é publicada num mural, vista em funcionamento. E isso é raro, pois a mente humana é uma caixa preta. Olhando pra minha caixa preta, variáveis X,Y,Z, I,J entre outras surgem, não digo que isso é normal mas acredito que seja comum, não público, mas comum. Tentamos nos entender e entender os outros segundo uma percepção estática. Acredito que o entender deva ser encarado como no jogo de xadrez, onde cada atitude abre possibilidades para N outras e não apenas para uma.Vou terminando a travessia desse texto. Interessante essa tal de prosa, permite que a mente caminhe e que o apreço se volte para esse caminhar e não somente para o ponto de chegada. Espero que não tenha sido enfadonho, espero que tenha sido uma boa conversa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Salvem o Terapeuta

    -Pode começar a falar. O que lhe trouxe aqui?
    -Bem, doutor, eu não sei mais o que pensar, estou muito confusa, meu emocional está muito abala...(choro)
    -Calma, estamos aqui para tentar resolver essa questão, continue falando.
    Continuou, agora mais calma.
   -As pessoas dizem que gostam de mim, que sou o que elas querem...
   -Não vejo isso como problema.
   - Porém o que me confunde é que depois me xingam, querem que eu vá embora logo..(choro, abre a janela para pular, mas ver que está frio e a fecha)
   - Calma, apenas continue falando. Me explique melhor.
   - As pessoas dizem que me querem, que não veem a hora de eu chegar, que eu deveria permanecer por mais tempo.Nesse momento meu ego cresce, minha auto-estima se eleva... E quando chego, sou bem recebida, mas após algum tempo...
    Rapidamente o terapeuta consegue retirar das mãos dela uma caneta com a qual ela insistia em tentar perfurar o olho.
   - Mas após algum tempo, dizem que não estão me aproveitando bem ou então falam que estão ansiosos para que eu vá embora...
   - Se sente mal com isso?
   - Se eu me sinto mal?!Olhe minha cara de felicidade!Pareço estar mal...
   Dessa vez ele é mais rápido e impede que ela acenda um isqueiro e tente se queimar.
   - Muitas crianças são sinceras e dizem que não gostam de mim e pronto.Eu não entendo...(choro)
   - Sua família lhe apoia nesses momentos?
   - Ela é muito grande e todos estão ocupados o tempo todo, se transformam em vários para darem conta do trabalho.
   - E você, não deveria estar trabalhando?
   - Era, mas eu fugi, estou fugindo de tudo, estou fugindo da vida....
   O terapeuta avança em cima dela e a faz cuspir todos os comprimidos que tentava ingerir de uma vez só.
   - Eu não entendo o por que disso tudo!Qual o problema comigo?!
   - Compreenda que as pessoas mudam de opinião rapidamente, nunca estão satisfeitas. Você, palavra Férias, geralmente é vivida uma vez por ano.Muitos não conseguem lidar com isso, ficam perdidos. A sua complexidade-simplista os intimida.Não sabem o que dizer, falando assim essas coisas.
    A Palavra Férias pareceu se acalmar um pouco com essas palavras do terapeuta.Olhava para o teto, não sabia-se porém se era em reflexão ou por causa do ventilador que girava com suas hélices de metal.Por via das dúvidas o médico afastou a Palavra daquelas hélices.
   - Vá para casa, reflita um pouco o que eu disse que na próxima consulta iremos nos aprofundar mais em cada questão.
   - Está certo.- falou agora mais calma.
   A Palavra sai do consultório em reflexão.O terapeuta fecha a porta num suspiro:
   -Complexidade-simplista, de onde tirei isso?Vejo que preciso de umas férias...

sábado, 18 de junho de 2011

Alice


    Assisti hoje o filme Alice e nele coisas fantásticas são ensinadas, não só ensinadas mas também lembradas.Coisas que sabíamos na infância mas que fomos obrigados a esquecer.No filme, Alice agora na adolescência retorna ao País das Maravilhas, porém acha que é um sonho e não se lembra bem da outra vez que esteve lá.Os seres do País se perguntam se essa é aquela Alice de tempos atrás .Ao ser peguntada se achava que essa era a Alice a lagarta azul diz que dificilmente é. Alice tinha perdido a sua determinação,sua essência.Me pergunto, quantos de nós perdemos a nossa essência,quanto eu perdi do Júnior Pires que era. Perdemos parte do que éramos na infância porque nos mostram o contrário.Perdemos principalmente a imaginação, levamos uma martelada da sociedade que nos diz:”a realidade é essa e nada foge disso”.O pai de Alice dizia pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Fala que o impossível só poderá se tornar possível se pensarmos que é.O impossível se mostra presente em todo o filme, gritando:”sou possível”.Pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã, interessante exercício diário, façamos o mesmo.O gato risonho, na história original (que ainda não li mas vou ler), fala à garota que todos são loucos:o chapeleiro, o coelho de março,ele e a própria Alice.E no filme, quando Alice se questiona ao pai se está ficando louca este afirma que sim, mas completa:”as melhores pessoas são”.Na minha opinião, as pessoas que perderam a sanidade mental o são porque possuem um excesso de imaginação e não sabem lidar com ela, porque estão presas a realidade.Que possamos ter esse excesso de imaginação, porém aceitá-lo e aumentá-lo.Sejamos loucos, somente. A partir de agora, pensemos no impossível todas as manhãs antes do café.Sim, isso é possível.