terça-feira, 29 de julho de 2014

Arte no Paint


          Olá pessoal, hoje venho com uma postagem um pouco diferente. É uma seleção de desenhos de um artista amigo meu, Carlos Cavalcante. Estes desenhos, acreditem, foram todos feitos no Paint. Sim, aquele programa simples de desenho e edição de imagens do Windows em que fazíamos alguns rabiscos nas aulas de informática básica.
           Como podemos perceber, a temática dos desenhos é diversa, sempre com bastante cor. O que chama a atenção é que além do desenho ele também faz todo o sombreamento no programa, tendo como resultado essas belíssimas imagens.
           Sem mais delongas, apreciem a exposição.







 






sábado, 12 de julho de 2014

E começa a partida!

E começa a partida! São quatro e meia da manhã e Seu João acabou de acordar. Toma banho, se troca, toma o café, beija a mulher, o filho e a filha e sai pro trabalho! Lindo lance! Está chegando na parada de ônibus. O quê? O ônibus está se preparando para sair? Seu João se prepara e parte ao ataque. Dribla um, dribla dois, três e consegue  pegar o ônibus. Daí para  frente são mais dois ônibus que ele terá que enfrentar. Partida difícil!
Nosso jogador finalmente chega ao trabalho depois de duas intermináveis horas de percurso! E começa a pegar as caixas! Pega a primeira e se dirige ao estoque. Passa a caixa para José e volta para pegar outra. Quanta habilidade!
Já estamos no final do segundo tempo. Dia terminando,  Seu João arruma suas coisas e sai em busca de pegar o primeiro dos três ônibus para voltar para casa. Já é possível ver sinais de cansaço. Pensa em passar no mercado mas lembra que está sem dinheiro e segue viagem.
Momentos finais. Seu João se aproxima da porta de entrada. Pega a chave, abre a porta e goooooooooool! Entra em casa e conclui mais um dia de trabalho! Beija e abraça a mulher em comemoração! Quanta emoção! E assim termina mais uma partida diária na vida do nosso craque.
               

                

sábado, 24 de maio de 2014

Play5 - Manhãs de Domingo



  De tempos em tempos faço uma postagem de uma playlist das músicas que estou escutando no momento. Aqui vai mais outra, espero que curtam bons momentos com ela. Como as manhãs de domingo, por exemplo.





Easy – Faith no More


High and Dry – Radiohead


To Love Somebody – Michael Bubble


If I Ain't Got You - Alicia  Keys


Lucky Man – The Verve



domingo, 20 de abril de 2014

Lembranças em um caderno

     
         Hoje, buscando um local onde escrever o rascunho de uma ideia para um texto, me lembrei de um caderno onde escrevia na adolescência. Escrevia nele qualquer coisa que achasse interessante e que gostaria de ter guardado. Buscando-o na minha estante encontrei nele algumas técnicas de ioga, pequenos poemas, o simbolismo das cores, como fazer tinta invisível, algumas explicações de desafios com palitos de fósforo, um texto explicando como os perfumes eram feitos, alguns truques com números, que lembro gostar de fazer a algumas pessoas. Encontrei também uns desenhos daqueles "quadros mágicos", onde a soma dos números em qualquer lado sempre da um mesmo número, alguns pensamentos de personalidades da história, um texto de Paulo Leminski e um recorte de uma revista ensinando alguns exercícios para a visão. Havia também duas folhas soltas: em uma adivinhações com dominós eram mostradas e na outra como se construir um higrômetro químico. Além disso, percebi, encontrei o meu eu adolescente, aquele garoto que gostava de todas essas coisas; coisas que lhe mexessem a imaginação. Foi bom o ter visto novamente, lembrado como ele olhava o mundo, do que ele gostava, como pensava, das coisas que lhe instigavam.
       Quando virei a página para escrever o meu rascunho, para minha surpresa, havia mais um texto. Escrito a lápis, era talvez uma tentativa de um poema, poesia, ou algo no intermediário disso. Datava de 30 de Dezembro de 2006, talvez surgido de um momento de reflexão do ano que havia passado ou referente ao ano que estava chegando. Como título havia a frase: “A vida vale a pena ser vivida”. Essa frase, me lembro agora, acho ter sido tirada de uma peça teatral de comédia que assisti, não me lembro a época exata.
       O texto de hoje então será esse de oito anos atrás, não porque seja um texto incrível, mas porque me mostra as ideias daquele garoto:

A vida vale a pena ser vivida porque...
os pássaros cantam.
cada momento é único.
sonhamos.
sorrimos.

A vida vale a pena ser vivida porque...
temos o dom de perdoar.
podemos praticar a caridade.
somos seres humanos diferentes.
sentimos.
temos amigos.

A vida vale a pena ser vivida porque...
somos amigos.
somos família.
somos o que não pensamos ser, mas somos.
temos medo.
temos emoções.

A vida vale a pena ser vivida porque...
o sol nasce todos os dias para nos aquecer.
bebemos água.
nascemos mais de uma vez na vida.
aprendemos com os nossos erros.
temos a Deus.
E Ele nos ama.
E nós o amamos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Sapateie!

   
   A história que vou lhes contar agora aconteceu na segunda metade do século dezenove e envolve um corretor imobiliário, sua esposa e uma crença.
       O senhor Edgar era um respeitável corretor de imóveis de uma pequena cidade do interior da Inglaterra. Tendo viajado por todo o mundo a negócios, se encontrava agora aposentado, vivendo feliz com a mulher.
       Ultimamente um fato curioso vinha ocorrendo, o que estava deixando a mulher de Edgar, Judith, um pouco curiosa e receosa. Todos os dias, após o jantar, Edgar se levantava e sapateava. Isso mesmo, sapateava. Fazia alguns passos e saía da sala. No início Judith achou que o marido estava apenas fazendo graça, mas quando percebeu que aquilo ocorria todos os dias, começou a ficar preocupada.
       - Querido, por que você faz isso todos os dias? - questionava a mulher.
       - É porque tenho que fazer – respondia apenas, Edgar.
       O mais constrangedor era que o corretor não fazia aquele ritual somente em casa, mas também em ocasiões sociais, como no jantar de noivado da irmã de Judith. Estavam todos à mesa quando Edgar se levantou e realizou o seu sapateio. Alguns riram, mas ficara claro que a maioria achou aquilo bastante estranho. E isso se repetia nas mais diversas ocasiões, deixando a esposa de Edgar cada vez mais preocupada.
       Judith decidira então pedir conselhos a sua mãe, Marta, sobre o que fazer. Essa que também já havia notado o comportamento estranho do genro.
       - Minha filha, você tem que falar com o seu marido sobre essa situação. Saber se ele está normal. - indagava a sogra do corretor.
       - Já falei com ele. Perguntei o por quê dele fazer isso e ele só responde que é porque tem que fazer. Diz que não pode explicar.
       - Seja mais forte e exija uma explicação.
       Foi o que Judith fez, exigiu uma explicação e o que obteve foi a história mais inusitada que já ouvira:
       Isso aconteceu numa viagem que fiz para a Irlanda, ano passado. - começava Edgar. - Em uma das casas que eu estava vendendo, havia ocorrido, há pouco, um caso sem explicação. Seu dono desaparecera misteriosamente. Os vizinhos falaram que no dia anterior ao ocorrido ele estava bastante nervoso e gritava constantemente no jardim: “você não vai mais me dominar, não irei fazer mais suas vontades ”. No outro dia, ele simplesmente desapareceu.
       Quando fui ao local, me deparei com uma casa bastante simpática e aconchegante. Andei por cada cômodo, porém o que mais me interessou foi o seu jardim. Era muito bonito e bem cuidado. Ao observar esse jardim, me deparei com algo que me despertou a curiosidade. Próximo a uma pedra havia uma folha de tamanho maior que as que haviam ali e de tonalidade diferente também, vermelho escuro. Mas o que mais me chamou a atenção é que havia algo escrito nela: “Sapateie!” . Quando li aquilo, escuto uma voz vindo detrás de mim: “vamos, o que está esperando?”. Naquele momento achei que meus olhos estavam pregando uma peça. Se encontrava, perto de uma das flores, um ser pequenino, vestido de verde, que me olhava com os seus olhos brilhantes. “Vamos, vamos logo, faça!” , gritava a criaturinha impaciente. Quando me recompus do susto, pude questionar o que era aquilo. “Me chamo Alphonsus e sou um Leprechaun, ou duende como vocês humanos idiotas, costumam chamar. Por ter lido a minha mensagem você agora será meu escravo e terá como sina ter que sapatear cada vez que terminar uma refeição.”, gesticulava grosseiramente o pequeno ser. Falei que não faria nada disso, foi aí que ele veio com a ameaça: “se não fizer o que mando, acabará como o dono desta casa. Me desobedeceu e rapidamente sumiu.” Ele me mostrou a maneira que deveria sapatear e desde então venho fazendo o que me mandara.
       Após ouvir toda a narrativa do marido, Judith tinha agora a certeza que ele estava louco. Primeiramente procurou não o contrariar e concordou com tudo o que dissera, dizendo que o apoiaria, mas sabia que tinha que fazer algo a respeito.
       Conversou com sua mãe e juntas elaboraram um plano para tentar curar o marido.
       Em um jantar reuniram toda a família e ao final, quando o marido de Judith iria fazer os passos, dois cunhados dele o agarraram.
       - Mas o que estão fazendo?! - exasperava-se Edgar.
       - É para o seu bem querido. Você verá que nada de mal irá acontecer se você não sapatear hoje. - falava carinhosamente a mulher.
       - Vocês não entendem, ele vai sumir comigo, vai sumir comigo... - repetia, amedrontado o homem.
       Não permitindo que o corretor realizasse sua sina, o amarraram e o levaram para o quarto. O homem resistia fortemente e aos gritos protestava aquela atitude.Quando finalmente conseguiram o colocar no quarto, voltaram todos para a sala. Nesse momento ouviu-se um grande barulho, como o de uma explosão.        Todos correram, preocupados. Ao chegarem no quarto perceberam que Edgar não se encontrava mais lá. Em cima da cama, que outrora se encontrava o corretor, percebeu Judith, havia uma folha de tonalidade escura com algo escrito. Judith a pegou e leu o que estava escrito.
       - O que diz aí? - perguntou a mãe de Judith.

        - Sapateie! - respondeu a mulher.  

sábado, 19 de outubro de 2013

Careta

   
    Não entendo. Ela, que nunca tinha visto na vida, olha para mim faz uma careta e me dá língua. Verdade que aquela senhora ao natural já não era bonita, fazendo careta então. Não estou aqui julgando a beleza de ninguém, estou somente declarando a minha fascinação e estranheza para com o ser humano.
    Toda semana me dirijo à rodoviária para viajar para a minha cidade e no período que lá permaneço, cerca de duas horas, observo os seres que por ali passam. Pessoas calmas, stressadas, sérias, risonhas, preocupadas, bonachões, mulheres levando seus filhos, muitas vezes aos gritos, jovens que estão começando a viver, velhos que há muito já não vivem. Não sei ao certo em que categoria me enquadro, talvez seja apenas um observador que, como percebo, também é observado.
    É curioso notar que aquelas pessoas provavelmente nunca mais se encontrarão, que aquela disposição de seres é única, única como uma impressão digital, num curto período de tempo irão se separar, cada um seguindo a sua jornada. É lá que se encontram os amigos instantâneos. Você pergunta a hora ou faz algum comentário sobre o atraso do ônibus e dali a pouco já está escutando sobre a viagem de férias ou a história de família de alguém. Foi assim que conheci um garoto que iria tentar vestibular, uma garota que faz engenharia civil, una jovem senhora de 56 anos , muito culta por sinal, e as histórias do seu filho. Outra vez, um rapaz que estava estudando inglês pois ia ser voluntário na Jornada Mundial da Juventude. Lembro-me ainda de ir conversando com um jovem corredor que iria participar de uma corrida no Peru, um outro era aspirante a odontólogo. Alguns destes ainda encontro vez ou outra.
    Uma cena que lembro bem era a de dois garotos, deviam ter dois ou três anos. Eles não se conheciam, um estava com uma bola brincando então o outro chegou perto para brincar também. Verdade que o menino dono da bola não quis brincar com o outro e este começou a chorar. O que mais me fascinou foi a espontaneidade da criança ao chegar perto da outra para brincar. Não possuía a desconfiança, cuidado e polidez de um adulto ao se aproximar de outro. Somente se aproxima e pronto. Me pergunto quando perdemos essa espontaneidade.
    Continuo observando, recortando e tentando montar essa colcha de retalhos que é a vida, tentando extrair um pouco dessa complexidade sem nunca perder o fascínio, mas o que ainda não entendo é o porquê daquela senhora, quando eu estava a caminho da rodoviária, ter feito uma careta e dado língua para mim.
   

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dia de Domingo

   
- O quê? Mas o rio é todo poluido! Como vou mostrar “a alegria de um domingo a tarde” ? Tenho que me virar? Certo, certo.
    Seu nome é Bing, escolha do pai enquanto jogava palavras cruzadas, repórter formado pela universidade a distância de sorocabinha do norte. Estava nesse momento discutindo com o seu editor, que o estava mandando fazer uma matéria sobre “a alegria de um domingo a tarde” em um rio da região onde as pessoas iam se divertir nos fins de semana. O problema era que o rio não estava tão, digamos, habitável.
    Não havia discussão, o chefe falou que ele teria que ir de todo jeito e assim ia ele para o local.
    - Isso. Aqui está bom para iniciarmos a gravação. - Bing dava as instruções ao seu câmera.
    O local não era o que poderíamos chamar de paraíso perdido. O rio estava cheio de cágados, deve ter havido uma grande orgia para explicar toda aquela prociação, talvez por causa dos degetos do novo refrigerante lançado. Objetos flutuantes populavam o rio, desde garrafas pet à um sofá vermelho que estranhamente girava como se tivesse vida própria. As pessoas povoavam a margem. Observando rapidamente podia-se identificar um garoto amarelo vendendo dudu andando de um lado para o outro, um senhor com uma vara de pesca e um cachorro ao lado, uma senhora, muito fina por sinal, embaixo de um garda-sol, uma criança que não parava de correr com um ursinho de pelúcia numa das mãos.     Mais ao fundo um curioso senhor, deitado em uma cadeira de praia, lê um livro. Curioso porque ele parecia não estar notando todo aquele tumulto.
    Duas garotas, que se não fosse pelo som alto da música que tinham colocado poderíamos achar que estavam tendo convulsões voluntárias de terceira gandeza, se divertiam enquanto esperavam o provável namorado de uma delas preparar o churrasco.
Bing se preparava para iniciar a reportagem.
    - Olá pessoal, na reportagem de hoje iremos acompanhar o dia em um dos locais mais visitados nos fins de semana. O famoso rio Ipojuca. Todos os fins de semana é repleto de visitantes que vêm para se divertir, descansar ou simplesmente sair um pouco da rotina semanal.
Observem a beleza do local.
O câmera mostra o rio onde mais um sofá descia dessa vez com uma televisão em cima dele.
    - Mark, vamos gravar essa parte novamente.
    O câmera, Mark era seu nome, se prepara novamente.
    - Observem a alegria do local.
    Agora Mark mostra,numa visão geral, as pessoas do local.
    - Iremos agora conversar com algumas pessoas para saber o quê...
    - Duuduuuuu!!!
    - Que moléstia é isso?!! - grita Bing num acesso de cólera.
    Alguém acabara de gritar ao ouvido dele. Ao olhar para o lado percebe o garoto amarelo dos dudus.
    - Dudu moço?
    - Garoto, estamos gravando não está vendo?
    - E eu estou vendendo, quer um dudu?É baratinho.
    - Não, não quero. Quero fazer minha reportagem, por favor.
    O garoto se afasta.
    - Vamos de novo Mark. Iremos agora...
    - Duuduuuuuu! - o garoto amarelo se afastava, mas ainda gritando.
    - Calma Mark, nós conseguiremos. Acho que ele já está longe, vamos continuar de onde paramos.
    Mark se posiciona.
    - Iremos agora conversar com algumas pessoas...espere, o que é aquilo?
    Várias pessoas estavam se aglomerando tentando ver algo. Bing corre para ver do que se trata. Ao chegar no foco da aglomeração, depois de vários pisões no pé e cotoveladas, Bing vê o motivo de toda aquela confusão. O pescador, que há pouco estava em pé com sua vara de pescar, se encontrava agora chorando e gritando “eu pesquei, eu pesquei”. Bing vai entrevistar o senhor.
    - Um senhor, que há pouco estava pescando, se encontra agora chorando pois conseguiu pescar algo.     Vamos falar com ele agora. Senhor, qual o motivo de tanta alegria? Compartilhe conosco.
    - Veja, veja, eu pesquei! - numa das mão o senhor exibia uma bota.
    - Mas o senhor pescou uma bota, por que tanta felicidade?
    - É que eu já tinha pescado uma, com essa agora tenho o par. - mostrando agora as duas botas.
    - Que bom que o senhor agora tem o par. Vamos continuar gravando em outo lugar Mark. - se impacientava Bing. - Vamos voltar para aquela parte. Iremos agora conversar com algumas pessoas para saber o quê existe de tão especial nesse local.
    Bing se dirige às duas garotas que continuam “dançando”, passando pelo menino dos dudus que o olha desconfiado.
    - Olá garotas. Poderia falar com vocês?
    - Quê?!Que é que esse cara tá falando?
    - Não sei Pri. Deixa eu abaixar o som. Oi moço.
    - Olá, eu poderia entrevistar vocês?
    - Nós vamo aparecer na televisão é? Bora Pri.
    - Oi meu nome é Priscila.
    - E o meu é Vanessa. Eita, falta o Kreber, meu namorado. Vem cá Kreber! É pra aparecer na televisão! - a garota grita como se fosse parir naquele momento.
    O namorado da garota se apróxima.
    - Esse local, por que vocês vêm aqui nos fins de semana?
    - Porque aqui é o máximo cara, nós traz o churrasco, coloca o som alto e as garota arrebenta. Saca só.
    “Kreber” liga o som no máximo e as duas garotas começam a “dançar”.
    - Senhor, gostaria de fazer algumas perguntas! Senhor?! - o repórter gritava mas sem resultados, a música continuava alta e as garotas continuavam naquela dança do acasalamento.
    - Vamos Mark, vamos! Vamos entrevistar aquela senhora sentada embaixo do guarda-sol.
    No meio do caminho Bing é parado por uma senhora. De touca na cabeça, avental, e o cabelo despenteado a senhora parecia bastante nervosa.
    - Seu repórter, quero fazer uma denúncia. - falava a senhora,aos cuspes, ao repórter. - Sou moradora daqui e acho tudo isso uma pouca vergonha. O rio é todo poluído, as crianças estão todas doentes e esse pessoal fica aqui com som ligado, dançando essas coisas do demônio, comendo churrasco, pescando. Isso é um absurdo. Quero que as autoridades façam alguma coisa! - a moradora agitava os braços para câmera como em sinal de ameça.
    - Minha senhora, sua denúncia foi registrada mas eu gostaria de continuar minha reportagem . A senhora poderia nos dar licença, por favor.
    - Mas eu quero denunciar!
    - Vamos fazer um acordo. A senhora vai denunciar, mas daqui a pouco. Poderia esperar aqui do lado.
    A moradora pareceu concordar pois saiu da frente da câmera.
    - Vamos Mark, falar com aquela mulher debaixo do guarda-sol.
    O repórter se dirige a fina senhora que delicadamente chupa um dudu.
    - Duuduuuuu!
    - Moleque, sai daqui! - se irrita Bing. - Olá, bom dia. Poderia entrevistar a senhora?
    - Ah sim, claro. O que o senhor deseja saber? - a elegante mulher deixa o dudu de lado e dirige a atenção ao repórter.
    - Por que a senhora vem a esse lugar? Por que esse rio é um local bom de se frequentar em um dia de domingo?
    - Ah é simples. Eu sou psicóloga e sei que é importante para mim e para minha filha frequentar locais não habituais ao nosso convívio. Além disso esse dudu é ótimo.
    O garoto amarelo olha para o repórter com um olhar de vitória.
    - E sua filha, onde está?
    - É aquela ali atrás?
    - Ah, aquela criança que ficou pulando, dando tchau e língua para a câmera durante toda a reportagem? - a garota continuava atrás, agora girando a cabeça descontroladamente. -Adorável criança. Obrigado senhora, continue apreciando o seu dudu.
    - Agora é minha vez? - a moradora continuava ali.
    - Não senhora, quando for eu aviso. Mark, falta entrevistar aquele senhor que continua a ler um livro desde que chegamos.
    Bing vai de encontro ao senhor, que inerte a tudo aquilo, lê calmamente seu livro.
    - Bom dia.
    O homem move sua atenção para o repórter.
    - Estamos fazendo uma reportagem, poderia fazer umas perguntas?
    - Sim, claro. Pode perguntar.
    - Estávamos observando. O senhor, mesmo com todo esse alvoroço ao redor, continuou concentrado na leitura desse livro. Como conseguiu? Esse local é tão relaxante assim para o senhor?
    - A questão é que eu trabalho a semana toda, então nos domingos tiro folga e venho para esse lugar para colocar a leitura em dia. Como sou uma pessoa muito concentrada, consigo fazer isso facilmente.      O problema agora é que com a chegada de vocês terei que trabalhar.
    - Como assim?
    - O homem não responde, apenas tira algo do bolso. Se parece com uma meia-calça, dessas marrons que as mulheres usam. A coloca na cabeça, se levanta e se dirige a Mark.
    - Perdeu cara, passa a câmera.
    - Hã? Como assim? - Bing não entende nada.
    - Isso é um assalto. Passa a câmera mermão! Tá surdo?!
    O ladrão toma a câmera da mão de Mark e começa a correr.
    Mark e Bing começam a correr atrás do homem e dessa vez é Mark que fala.

    - Peguem o ladrão, essa câmera foi parcelada em 36 vezes nas Casas Bahia e ainda estou na quinta parcela...